sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Consequências


ENTRE A FANTASIA E O CAIXÃO: O EROTISMO DO PERIGO E A CEGUEIRA PSÍQUICA
Existe, sim, um fenômeno recorrente: mulheres que abandonam relações estáveis para se envolver com homens violentos, criminosos ou marcados por histórico de agressividade. Não é mito urbano. Está nos noticiários, nas delegacias, nos cemitérios.
Mas a pergunta que importa não é “por que mulher gosta de bandido?”.
A pergunta psicanalítica é: o que está sendo buscado nesse homem?
1. A confusão entre intensidade e amor
Sigmund Freud descreveu a compulsão à repetição: o sujeito retorna ao que fere porque aquilo é familiar.
Para algumas mulheres, o amor tranquilo parece “sem graça”.
O homem instável, ciumento, explosivo gera adrenalina.
O cérebro interpreta medo como paixão.
Trauma vira química.
Isso não é romantismo. É repetição inconsciente.
2. O fascínio pelo poder bruto
Jacques Lacan dizia que o desejo gira em torno da falta e da fantasia.
O “bandido” encarna, simbolicamente:
força
domínio
transgressão
masculinidade exagerada
Em uma sociedade onde muitas mulheres foram ensinadas a buscar proteção, o agressivo pode parecer protetor — até o dia em que a violência atravessa a porta de casa.
3. O complexo de salvadora
Há um roteiro silencioso:
“Comigo ele muda.”
“Ele só é assim porque sofreu.”
“Eu vou curar esse homem.”
Não é amor.
É onipotência infantil tentando consertar o pai ausente, o agressor da infância, o caos emocional antigo.
Enquanto isso, a estatística cresce.
4. A erotização do risco
O proibido excita.
O perigo ativa dopamina.
O relacionamento instável cria ciclos de tensão e recompensa — iguais aos mecanismos do vício.
Sai. Volta. Apanha. Perdoa. Promessa. Lua de mel. Nova agressão.
Isso não é destino. É padrão psíquico.
5. A responsabilidade não é da vítima — mas a escolha precisa ser encarada
A violência é responsabilidade total do agressor.
Mas ignorar sinais claros, romantizar histórico criminal, achar que “ele é diferente comigo” — é negar a realidade.
Amor não é tiro, não é ameaça, não é medo.
6. Pergunta direta para essa mulher que insiste
Você quer emoção — ou quer paz?
Você quer intensidade — ou quer viver?
Você quer salvar alguém — ou quer se salvar?
A psicanálise não passa a mão na cabeça.
Ela revela o inconsciente.
E às vezes o inconsciente está apaixonado pela própria destruição.

Sandro César Roberto 

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Entre a Lei e o Silêncio: A Fragilidade da Proteção Infantil Diante de Interpretações Perigosas



O caso ocorrido em Minas Gerais, envolvendo o julgamento e a liberação de um homem de 35 anos que mantinha relacionamento com uma menina de 12 anos, traz à tona um debate essencial sobre os limites da interpretação jurídica quando se trata da infância.
A legislação brasileira estabelece de forma objetiva a incapacidade de consentimento de menores de 14 anos. Esse marco legal não é aleatório: ele se fundamenta na compreensão científica e psicológica de que a criança ainda está em processo de desenvolvimento emocional, cognitivo e simbólico.
Quando argumentos como “apoio familiar”, “consentimento” ou “ausência de violência física” passam a integrar decisões judiciais, instala-se um risco social significativo. A assimetria de poder entre um adulto e uma criança é estrutural. Não se trata apenas de diferença de idade, mas de maturidade psíquica, autonomia e capacidade de elaboração simbólica.
Sob a luz da Psicanálise, a sexualização precoce pode interferir diretamente na constituição do sujeito. A infância é etapa de formação do eu, da identidade e das referências afetivas. A invasão desse tempo pode gerar traumas silenciosos, sentimentos inconscientes de culpa, confusão entre afeto e dominação, além de impactos que se estendem à vida adulta.
Também é preciso considerar o sofrimento das famílias que vivenciam situações semelhantes, marcadas por culpa, vergonha e desestruturação emocional.
O debate não pode ser tratado com superficialidade. Ele exige responsabilidade institucional e maturidade social. A infância não pode ser relativizada.
Proteger a criança é um compromisso ético, jurídico e humano.

Sandro César Roberto
Psicanalista
CNP 19/0828

#proteçãoainfância
#psicanálise
#direitodacriança
#violênciainfantil
#responsabilidadesocial

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Inversão de Valores


Ao longo da história, a humanidade conheceu mentes extraordinárias: Einstein, que desvendou os segredos do universo; Marie Curie, que iluminou o mundo com a ciência; Pasteur, que salvou milhões; Galileu e Newton, que mudaram nossa compreensão da natureza. Todos deixaram legados imortais.
Mas nenhum deles — nenhum, em toda a existência humana — conseguiu o que Tatiana Sampaio realizou: devolver o andar a quem estava preso a uma cadeira de rodas. Um feito impossível até ontem, um milagre tangível que só Jesus havia feito.
Tatiana não buscou glória pessoal; ela foi escolhida por Deus para transformar vidas, para realizar o impossível de forma concreta. Hoje, a história da humanidade se divide em “antes” e “depois de Tatiana Sampaio”. Ela não apenas avançou a ciência; ela reescreveu os limites do possível, trazendo esperança, vida e milagres para aqueles que mais precisavam.

Sandro César Roberto 

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Pisque duas Vezes


Pisque Duas Vezes

Sob uma leitura psicanalítica, Pisque Duas Vezes pode ser interpretado como uma narrativa sobre o trauma dissociado e a memória reprimida — onde a mente constrói códigos simbólicos para comunicar aquilo que o consciente não consegue recordar.

A psicanálise entende que o trauma não desaparece; ele se desloca. Ele retorna através de:
símbolos
repetições
imagens aparentemente aleatórias
lapsos
sinais inconscientes
Neste contexto, os elementos visuais do filme funcionam como “significantes” que denunciam uma história psíquica escondida.
🧠 O sujeito que foi vítima mas não lembra
Na teoria freudiana e pós-freudiana:
👉 A mente pode bloquear lembranças traumáticas através da repressão.
A pessoa:
sente algo errado
reage emocionalmente a certos estímulos
mas não possui narrativa consciente do evento.
Isso cria o que chamamos de:
memória corporal
marcas afetivas sem linguagem
O trauma fala por símbolos.

🐇 O coelho vermelho (símbolo psicanalítico)
O coelho frequentemente representa:
vulnerabilidade
inocência
instinto de sobrevivência
Quando vermelho:
mistura vida e violência
desejo e perigo
atração e alerta
Na leitura psicanalítica:
👉 o coelho vermelho pode simbolizar o “eu infantil ferido” tentando emergir na consciência.
É o retorno do reprimido.

🂡 O Ás de Espadas
Na simbologia psíquica:
espada = corte, verdade, ruptura
instrumento que separa fantasia da realidade.
O Ás representa início, revelação.
Psicanaliticamente:
👉 é o momento onde o inconsciente tenta atravessar a defesa psíquica.
Pode indicar:
insight
fragmento de memória
início da lembrança traumática.

📱 Figurinhas, memes e códigos digitais
Aqui entra algo muito atual:
O inconsciente contemporâneo utiliza linguagem cultural.
Figurinhas e memes funcionam como:
condensação simbólica (Freud)
comunicação indireta
tentativa de dizer sem dizer.
Para vítimas que não conseguem nomear o trauma:
👉 a mente projeta mensagens em imagens aparentemente leves.
Isso pode ser:
identificação inconsciente
pedido de reconhecimento
sinalização emocional.

🔍 Diversas formas de identificação psíquica
Segundo a psicanálise:
O sujeito traumatizado pode se identificar através de:
símbolos repetidos
cores específicas
personagens
humor aparentemente aleatório
narrativas fragmentadas.
São pistas que o inconsciente deixa.

Sandro César Roberto 

A FRAGILIDADE HUMANA POR TRÁS DOS UNIFORMES

Vivemos em uma sociedade que frequentemente enxerga o profissional pelo cargo que ocupa, pelo jaleco que veste, pelo título que carrega ou pela função que exerce. Médicos, enfermeiros, psicólogos, líderes, gestores e tantos outros são vistos como estruturas sólidas — como se a responsabilidade assumida os tornasse imunes à dor, ao cansaço emocional e às próprias fragilidades.
Mas a Psicanálise nos lembra de uma verdade essencial: antes do papel social, existe o sujeito.
Por trás de cada profissional que cuida, orienta, decide ou lidera, existe uma história psíquica, atravessada por desejos, angústias, medos e limites humanos. O estresse que muitos enfrentam não nasce apenas da carga de trabalho, mas do peso simbólico da expectativa de não falhar, de não demonstrar fraqueza, de sustentar o lugar daquele que deve sempre saber o que fazer.
A escuta constante da dor alheia, a exposição contínua ao sofrimento humano e a pressão por respostas rápidas criam um cenário onde o sujeito, muitas vezes, silencia a própria dor para continuar funcionando. Esse mecanismo, embora necessário em certos momentos, pode gerar um distanciamento interno — uma tentativa inconsciente de proteger-se através da rigidez emocional.
Na clínica psicanalítica, compreendemos que negar a fragilidade não fortalece; ao contrário, intensifica o desgaste. A humanidade não desaparece com o diploma ou com o cargo — ela apenas aprende a se esconder atrás deles.
Reconhecer o cansaço, admitir limites e permitir-se sentir não é sinal de fraqueza. É um movimento de integração psíquica, onde o sujeito aceita sua condição humana sem abandonar sua competência.
Talvez o maior cuidado que possamos oferecer ao outro seja também aprender a cuidar de si. Porque quem sustenta muitos olhares precisa, igualmente, de um espaço onde possa baixar as próprias defesas.
A fragilidade não diminui o profissional — ela o humaniza.
E é justamente na humanidade compartilhada que nasce a verdadeira empatia.
Sandro César Roberto

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Entender o Pedófilo


🛑 ENTENDER NÃO É JUSTIFICAR — É PROTEGER.
Falar sobre a mente do pedófilo não é defender, nem amenizar. É abrir os olhos para uma realidade dura, que precisa ser compreendida para ser combatida.
Por trás do abuso existem distorções psicológicas, manipulação emocional e uma tentativa constante de normalizar o inaceitável. Crianças nunca consentem. Crianças precisam de proteção, não de silêncio.
O perigo muitas vezes não tem rosto assustador — pode se esconder em comportamentos aparentemente comuns, em discursos suaves, em aproximações graduais. Por isso, informação é uma ferramenta de defesa.
Como sociedade, precisamos parar de fugir do tema e começar a encará-lo com responsabilidade, conhecimento e coragem. A prevenção nasce da consciência.
Proteja. Observe. Denuncie.
Porque toda criança merece crescer segura, respeitada e livre de qualquer forma de violência.

Sandro César Roberto 


#proteçãoinfantil #consciênciasocial #psicologia #prevenção #respeito #segurança #infância

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Ao longo da vida, o homem se depara inevitavelmente com revezes: fracassos profissionais, perdas afetivas, limites físicos, frustrações financeiras e conflitos internos. No entanto, para muitos homens, aceitar esses revezes não é apenas difícil — é vivido como uma ameaça direta à própria identidade.
Do ponto de vista psicológico, isso está fortemente ligado à forma como a masculinidade é construída socialmente. Desde cedo, muitos homens aprendem que precisam ser fortes, produtivos, autossuficientes e emocionalmente invulneráveis. Errar, perder ou demonstrar fragilidade passa a ser interpretado como fraqueza, e não como parte natural da experiência humana. Assim, quando a vida impõe limites, surge um conflito interno intenso entre o que se sente e o que se acredita que “deveria” sentir.
Essa dificuldade de aceitar os revezes costuma gerar mecanismos de defesa como a negação, a racionalização excessiva, a projeção da culpa nos outros ou o endurecimento emocional. Em vez de elaborar a frustração, muitos homens a transformam em raiva, isolamento, comportamentos de risco ou fuga por meio do trabalho excessivo, do álcool ou de outras compulsões. O sofrimento não desaparece — apenas muda de forma.
As consequências psicológicas podem ser significativas: ansiedade crônica, depressão silenciosa, sensação de vazio, baixa tolerância à frustração e dificuldade nos vínculos afetivos. Relações amorosas e familiares frequentemente são afetadas, pois a incapacidade de lidar com perdas e limites tende a gerar controle, rigidez ou afastamento emocional.
A psicologia aponta que aceitar os revezes da vida não significa resignação ou passividade, mas sim maturidade psíquica. Trata-se de reconhecer que nem tudo está sob controle, que falhar não define o valor pessoal e que a vulnerabilidade é um componente essencial do desenvolvimento emocional. Quando o homem consegue simbolizar suas perdas — falando sobre elas, elaborando o luto e ressignificando a experiência — ele amplia sua capacidade de adaptação e crescimento.

SANDRO CÉSAR ROBERTO 

Consequências

ENTRE A FANTASIA E O CAIXÃO: O EROTISMO DO PERIGO E A CEGUEIRA PSÍQUICA Existe, sim, um fenômeno recorrente: mulheres que abando...