terça-feira, 6 de outubro de 2026

30° Enbra


Hoje, na FIEMT, acontece a coletiva de imprensa e o lançamento oficial do evento, que reunirá profissionais, estudantes, especialistas e importantes nomes da Administração brasileira.
O encontro será realizado nos dias 11, 12 e 13 de novembro de 2026, em Cuiabá-MT, promovendo conhecimento, integração, inovação e debates sobre os caminhos da Administração no Brasil.
Um momento importante para Mato Grosso e para todos que acreditam na força da gestão, do conhecimento e do desenvolvimento profissional.

Sandro César Roberto 

" ECONOMIA DO NORDESTE QUE NINGUÉM PÕE NO CARTÃO"


A ECONOMIA DO NORDESTE QUE NINGUÉM PÕE NO CARTÃO POSTAL

O Nordeste vende sol. Vende mar verde, coqueiro torto, acarajé na panela, forró até o chão. A economia oficial é essa: 60% do PIB de muitas cidades litorâneas vem do turismo, do serviço, da diária do hotel, do passeio de buggy.

Mas tem outra economia. Mais antiga. Mais barata. Mais lucrativa.

É a economia da miséria ancestral.

É a menina que você vê na beira da praia de Pipa, de Porto de Galinhas, de Jericoacoara, de Morro de São Paulo. Ela tem 13, 14 anos. O nome dela tanto faz - pode ser Maria, pode ser Kauane. Ela não está ali porque quer. Ela está ali porque a mãe dela também esteve, e a avó dela serviu na casa grande. É uma linhagem de fome que nunca quebrou.

O que o turista de fora compra não é só a praia. É a sensação de poder. Com 50 euros, 100 dólares, ele compra o que no país dele daria cadeia perpétua. Ele compra a desigualdade. Ele compra o sorriso subserviente de um país que aprendeu que precisa agradar o gringo para comer.

E o sistema deixa.

Deixa porque o prefeito precisa da taxa de ocupação dos hotéis.
Deixa porque o dono da pousada faz vista grossa.
Deixa porque o policial ganha para não ver.
Deixa porque a família, esmagada por 400 anos de seca, de latifúndio, de Bolsa Família que não paga o botijão, aprendeu a chamar isso de "ajuda" e "oportunidade".

Chamam de turismo sexual. É um eufemismo nojento para esconder o nome certo: estupro colonial com pagamento em moeda estrangeira. Exploração sexual infantil organizada pela pobreza.

Enquanto o Brasil vende a imagem da morena sensual, sorridente, disponível, a conta fecha assim:

O gringo leva a foto com pôr do sol.
O intermediário leva 70%.
A menina fica com o trauma, uma infecção e R$ 50 para comprar o arroz da casa.

Essa é a economia mais rentável do Nordeste. Não precisa de investimento do BNB, não precisa de inovação, não precisa de irrigação. Precisa só de miséria contínua e de omissão contínua.

Não existe turismo inocente onde criança é mercadoria na praia. Se a sua viagem precisa da miséria dela para ser barata, você não é turista. Você é parte da cadeia produtiva.

O Nordeste não precisa de turista que vem caçar menina. Precisa de indústria, de universidade, de saneamento, de emprego que pague mais que uma diária para deitar com um estrangeiro.

Enquanto a gente romantizar a "moça do Nordeste" como produto exótico, quente e barato, a gente vai continuar sendo o bordel mais bonito do mundo.

Sandro César Roberto 

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Euphoria !

Euforia: quando a emoção nos impulsiona — e quando pode nos levar ao excesso?

A euforia faz parte da experiência humana. Ela aparece quando sentimos uma alegria intensa, uma conquista, uma vitória ou uma expectativa muito positiva. Pode acontecer no futebol, na política, diante de um emprego novo, de uma promoção, de um relacionamento ou de qualquer situação que desperte grande entusiasmo.

Na luz da Psicanálise, não precisamos enxergar a euforia como algo positivo ou negativo em si. Precisamos observar o que fazemos com ela e até onde ela nos leva.

Entre seus benefícios, a euforia pode aumentar a disposição, a criatividade, a motivação, a esperança e a capacidade de enfrentar desafios. Uma vitória pode renovar nossas forças. Um emprego novo pode despertar confiança. Uma conquista política pode trazer esperança de mudança.

Mas existe também o outro lado.

Quando a emoção se torna intensa demais, podemos perder temporariamente a capacidade de avaliar a realidade com equilíbrio. No futebol, a paixão pode transformar comemoração em provocação e rivalidade em agressividade. Na política, o entusiasmo pode fazer com que uma pessoa idealize excessivamente um líder ou grupo e deixe de enxergar seus erros. No trabalho, a empolgação inicial pode criar expectativas irreais e levar a decisões precipitadas.

Existe ainda um fenômeno importante: quanto maior a expectativa criada pela euforia, maior pode ser a frustração quando a realidade não corresponde ao que imaginávamos.

A Psicanálise nos convida justamente a olhar para aquilo que existe por trás da emoção.

O que estou realmente comemorando? O que essa conquista representa para mim? Por que preciso tanto que isso dê certo? O que acontece comigo quando a euforia passa?

Talvez a questão não seja controlar a euforia, mas não permitir que ela nos controle.

A emoção pode ser combustível para a vida. Porém, quando o entusiasmo elimina a reflexão, podemos confundir desejo com realidade, esperança com certeza e paixão com verdade.

Sentir intensamente faz parte da vida. Pensar sobre aquilo que sentimos é uma forma de não sermos escravos das nossas próprias emoções.

— Sandro César Roberto 





quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Quando o Personagem Continua Depois do Palco


Quando Cristo deixa o roteiro: a Psicanálise explica por que alguns papéis transformam quem os interpreta

Há personagens que rendem fama. Outros rendem prêmios. Mas existem aqueles que atravessam o ego e alcançam regiões da psique que o próprio ator desconhecia.

Interpretar Jesus Cristo talvez seja o maior deles.

Na Psicanálise, compreendemos que o ser humano não interpreta apenas um personagem; ele estabelece com ele um processo de identificação. O ator empresta seu corpo, sua voz e suas emoções, mas também entrega, ainda que inconscientemente, partes de sua própria história. Quanto mais intensa essa identificação, maior a possibilidade de o papel produzir efeitos que ultrapassam o set de filmagem.

Cristo não é um personagem comum. Ele representa um dos símbolos mais poderosos da humanidade. Amor incondicional, sofrimento, compaixão, renúncia, injustiça, perdão e entrega absoluta convivem em uma única figura. Permanecer meses mergulhado nesse universo emocional significa submeter a própria mente a um processo contínuo de reflexão e confronto interno.

Freud demonstrou que o inconsciente continua trabalhando mesmo quando acreditamos estar apenas representando. Jung compreendeu a figura de Cristo como um arquétipo de transformação, capaz de mobilizar conteúdos profundos da personalidade. Lacan mostrou que o sujeito é constituído pelos símbolos que o atravessam. Sob essa perspectiva, representar Cristo não é simplesmente atuar; é permitir que um símbolo universal dialogue com a própria identidade.

Não surpreende, portanto, que alguns atores tenham relatado mudanças importantes após essa experiência.

Robert Powell carregou durante décadas a imagem de Cristo diante do público. Sua interpretação foi tão marcante que muitos espectadores passaram a associar sua própria identidade ao personagem. O papel tornou-se maior que o ator.

Jim Caviezel relatou que a experiência modificou profundamente sua vida. Além das exigências físicas e emocionais das filmagens, afirmou que passou a enxergar sua missão artística e pessoal de outra maneira, mesmo diante de dificuldades em sua carreira.

Jonathan Roumie descreve que interpretar Jesus fortaleceu sua espiritualidade e redefiniu suas prioridades, levando-o a compreender sua profissão como um serviço, e não apenas como entretenimento.

Cada história é única. A Psicanálise não afirma que interpretar Cristo transforma inevitavelmente uma pessoa. O que ela sugere é que experiências de intensa carga simbólica podem reorganizar o modo como alguém percebe a si mesmo, seus valores e seu propósito.

Mas essa reflexão não pertence apenas aos atores.

Todos nós desempenhamos papéis diariamente: pai, mãe, líder, funcionário, empresário, professor, terapeuta, amigo. Com o tempo, esses papéis também moldam nossa identidade. Repetimos comportamentos, assumimos responsabilidades e, muitas vezes, esquecemos onde termina a função e começa quem realmente somos.

É exatamente aí que nasce uma das maiores crises da vida adulta: viver tanto tempo representando aquilo que o mundo espera, que deixamos de ouvir aquilo que nossa própria consciência deseja.

Talvez seja por isso que a história desses atores desperte tanto interesse. Ela nos obriga a fazer uma pergunta incômoda:

Se um personagem foi capaz de transformar quem o interpretou, o que os papéis que representamos todos os dias estão fazendo conosco?

Talvez o maior palco nunca tenha sido o cinema.

Talvez seja a própria vida.

E talvez a mudança mais profunda não aconteça quando interpretamos Cristo, mas quando percebemos que, fora das câmeras, também somos chamados diariamente a escolher entre o ego, a máscara e a autenticidade.

Sandro César Roberto
Psicanalista – CNP 09/0628

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Mudanças


Quando a profissão muda a pessoa: um olhar da Psicanálise

É comum observarmos que algumas pessoas mudam significativamente após ingressarem em um novo emprego, curso ou profissão. A forma de falar, os assuntos, o círculo de amizades e até a maneira de se relacionar podem sofrer alterações em pouco tempo. Para quem acompanha essa transformação de fora, a sensação pode ser de estranhamento, afastamento e, em alguns casos, de perda.

Sob a luz da Psicanálise, essa mudança pode estar relacionada ao processo de construção de uma nova identidade. Ao ocupar um novo papel social, o indivíduo busca ser reconhecido e aceito pelo grupo ao qual agora pertence. Esse movimento é natural e faz parte do desenvolvimento humano. O problema surge quando, na tentativa de integrar-se ao novo ambiente, a pessoa rompe ou negligencia vínculos que fizeram parte de sua trajetória.

Freud já demonstrava que o ser humano busca pertencimento e reconhecimento. O grupo exerce forte influência sobre a identidade, os comportamentos e até sobre a forma como cada um percebe a si mesmo. Em outras palavras, muitas vezes a pessoa não muda apenas porque aprendeu uma nova profissão; ela muda porque deseja ocupar um novo lugar social.

Do ponto de vista psicanalítico, essa mudança pode revelar diferentes aspectos da personalidade. Em alguns indivíduos, ela representa amadurecimento e crescimento. Em outros, pode indicar uma necessidade intensa de validação, levando à idealização do novo grupo e ao distanciamento de antigos vínculos. Não se trata de uma regra, mas de uma possibilidade clínica que merece reflexão.

Para aqueles que permanecem do outro lado da relação, os efeitos podem ser dolorosos. Amigos e familiares podem experimentar sentimentos de rejeição, invisibilidade ou ingratidão, especialmente quando estiveram presentes em momentos difíceis da vida daquela pessoa. Nem sempre há intenção de ferir, mas o impacto emocional pode ser real.

A verdadeira evolução profissional não deveria exigir o abandono da própria história. Crescer não significa esquecer quem caminhou ao nosso lado quando ainda não havia diplomas, cargos ou reconhecimento. A profissão pode transformar competências, ampliar horizontes e abrir portas, mas não deveria diminuir a capacidade de reconhecer, valorizar e preservar os vínculos construídos ao longo da vida.

Talvez o maior sinal de maturidade não seja apenas adaptar-se ao novo ambiente, mas conseguir fazê-lo sem perder a essência, a humildade e a gratidão por aqueles que fizeram parte da caminhada.

Sandro César Roberto 

quarta-feira, 29 de julho de 2026

(Lide Cuiabá)

Hoje encerro este dia com o coração cheio de gratidão.

Participar de uma imersão em empreendedorismo foi muito mais do que adquirir conhecimento. Foi a oportunidade de ampliar horizontes, fortalecer ideias e compreender que empreender exige coragem, disciplina e constante aprendizado.

Também tive a honra de conhecer pessoalmente o jornalista Caio Coppolla e o professor Leandro Karnal, duas referências que, cada uma à sua maneira, inspiram pela capacidade de comunicar, provocar reflexões e compartilhar conhecimento.

Saio desta imersão ainda mais motivado a transformar projetos em realidade, levando comigo novos aprendizados, conexões e a certeza de que o crescimento começa quando decidimos sair da zona de conforto.

Gratidão a todos os envolvidos por esta experiência. Que seja apenas o início de uma jornada ainda maior.


terça-feira, 28 de julho de 2026

Farmar Aura?




Farmar Aura: quando a identidade é substituída pela plateia

Existe algo inquietante por trás da moda de "farmar aura". Não estamos falando apenas de uma gíria da internet, mas do retrato de uma geração que, em muitos casos, parece medir o próprio valor pela reação dos outros.

A Psicologia há muito nos alerta: quem depende constantemente da validação externa entrega ao outro o controle da própria identidade. Quando a aprovação se torna uma necessidade, a autenticidade começa a morrer.

Vivemos uma época em que muitos preferem parecer interessantes a serem verdadeiros. Não importa quem são quando estão sozinhos; importa quantas pessoas admiram a personagem que construíram.

Cada atitude deixa de ser espontânea e passa a ser calculada. Cada gesto procura aplausos. Cada desafio busca status. Cada vídeo tenta comprar alguns segundos de admiração. A vida deixa de ser vivida para ser exibida.

O problema não é a brincadeira. O problema é quando o sujeito passa a existir apenas enquanto é observado. Quando o silêncio incomoda mais do que a mentira. Quando a aparência vale mais que o caráter.

Sob a ótica psicológica, a necessidade compulsiva de impressionar pode revelar um vazio que nenhuma curtida consegue preencher. Quanto maior a dependência do olhar do outro, menor tende a ser o contato com a própria identidade.

Paradoxalmente, quem mais tenta provar que possui "aura" talvez seja quem ainda não encontrou segurança suficiente para simplesmente ser quem é.

A verdadeira força não precisa de plateia. A verdadeira autoestima não precisa ser filmada. O verdadeiro caráter não depende de tendências, memes ou da aprovação de desconhecidos.

Talvez a pergunta mais importante não seja: "Quanto de aura você conseguiu farmar?"

Mas sim:

Quem você continua sendo quando ninguém está olhando?

Sandro César Roberto 

https://chat.whatsapp.com/HL6tS1mVuR88ItYI3AqeAf?s=cl&p=a&ilr=4


30° Enbra

Hoje, na FIEMT, acontece a coletiva de imprensa e o lançamento oficial do evento, que reunirá profissionais, estudantes, especia...