sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Pisque duas Vezes


Pisque Duas Vezes

Sob uma leitura psicanalítica, Pisque Duas Vezes pode ser interpretado como uma narrativa sobre o trauma dissociado e a memória reprimida — onde a mente constrói códigos simbólicos para comunicar aquilo que o consciente não consegue recordar.

A psicanálise entende que o trauma não desaparece; ele se desloca. Ele retorna através de:
símbolos
repetições
imagens aparentemente aleatórias
lapsos
sinais inconscientes
Neste contexto, os elementos visuais do filme funcionam como “significantes” que denunciam uma história psíquica escondida.
🧠 O sujeito que foi vítima mas não lembra
Na teoria freudiana e pós-freudiana:
👉 A mente pode bloquear lembranças traumáticas através da repressão.
A pessoa:
sente algo errado
reage emocionalmente a certos estímulos
mas não possui narrativa consciente do evento.
Isso cria o que chamamos de:
memória corporal
marcas afetivas sem linguagem
O trauma fala por símbolos.

🐇 O coelho vermelho (símbolo psicanalítico)
O coelho frequentemente representa:
vulnerabilidade
inocência
instinto de sobrevivência
Quando vermelho:
mistura vida e violência
desejo e perigo
atração e alerta
Na leitura psicanalítica:
👉 o coelho vermelho pode simbolizar o “eu infantil ferido” tentando emergir na consciência.
É o retorno do reprimido.

🂡 O Ás de Espadas
Na simbologia psíquica:
espada = corte, verdade, ruptura
instrumento que separa fantasia da realidade.
O Ás representa início, revelação.
Psicanaliticamente:
👉 é o momento onde o inconsciente tenta atravessar a defesa psíquica.
Pode indicar:
insight
fragmento de memória
início da lembrança traumática.

📱 Figurinhas, memes e códigos digitais
Aqui entra algo muito atual:
O inconsciente contemporâneo utiliza linguagem cultural.
Figurinhas e memes funcionam como:
condensação simbólica (Freud)
comunicação indireta
tentativa de dizer sem dizer.
Para vítimas que não conseguem nomear o trauma:
👉 a mente projeta mensagens em imagens aparentemente leves.
Isso pode ser:
identificação inconsciente
pedido de reconhecimento
sinalização emocional.

🔍 Diversas formas de identificação psíquica
Segundo a psicanálise:
O sujeito traumatizado pode se identificar através de:
símbolos repetidos
cores específicas
personagens
humor aparentemente aleatório
narrativas fragmentadas.
São pistas que o inconsciente deixa.

Sandro César Roberto 

A FRAGILIDADE HUMANA POR TRÁS DOS UNIFORMES

Vivemos em uma sociedade que frequentemente enxerga o profissional pelo cargo que ocupa, pelo jaleco que veste, pelo título que carrega ou pela função que exerce. Médicos, enfermeiros, psicólogos, líderes, gestores e tantos outros são vistos como estruturas sólidas — como se a responsabilidade assumida os tornasse imunes à dor, ao cansaço emocional e às próprias fragilidades.
Mas a Psicanálise nos lembra de uma verdade essencial: antes do papel social, existe o sujeito.
Por trás de cada profissional que cuida, orienta, decide ou lidera, existe uma história psíquica, atravessada por desejos, angústias, medos e limites humanos. O estresse que muitos enfrentam não nasce apenas da carga de trabalho, mas do peso simbólico da expectativa de não falhar, de não demonstrar fraqueza, de sustentar o lugar daquele que deve sempre saber o que fazer.
A escuta constante da dor alheia, a exposição contínua ao sofrimento humano e a pressão por respostas rápidas criam um cenário onde o sujeito, muitas vezes, silencia a própria dor para continuar funcionando. Esse mecanismo, embora necessário em certos momentos, pode gerar um distanciamento interno — uma tentativa inconsciente de proteger-se através da rigidez emocional.
Na clínica psicanalítica, compreendemos que negar a fragilidade não fortalece; ao contrário, intensifica o desgaste. A humanidade não desaparece com o diploma ou com o cargo — ela apenas aprende a se esconder atrás deles.
Reconhecer o cansaço, admitir limites e permitir-se sentir não é sinal de fraqueza. É um movimento de integração psíquica, onde o sujeito aceita sua condição humana sem abandonar sua competência.
Talvez o maior cuidado que possamos oferecer ao outro seja também aprender a cuidar de si. Porque quem sustenta muitos olhares precisa, igualmente, de um espaço onde possa baixar as próprias defesas.
A fragilidade não diminui o profissional — ela o humaniza.
E é justamente na humanidade compartilhada que nasce a verdadeira empatia.
Sandro César Roberto

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Entender o Pedófilo


🛑 ENTENDER NÃO É JUSTIFICAR — É PROTEGER.
Falar sobre a mente do pedófilo não é defender, nem amenizar. É abrir os olhos para uma realidade dura, que precisa ser compreendida para ser combatida.
Por trás do abuso existem distorções psicológicas, manipulação emocional e uma tentativa constante de normalizar o inaceitável. Crianças nunca consentem. Crianças precisam de proteção, não de silêncio.
O perigo muitas vezes não tem rosto assustador — pode se esconder em comportamentos aparentemente comuns, em discursos suaves, em aproximações graduais. Por isso, informação é uma ferramenta de defesa.
Como sociedade, precisamos parar de fugir do tema e começar a encará-lo com responsabilidade, conhecimento e coragem. A prevenção nasce da consciência.
Proteja. Observe. Denuncie.
Porque toda criança merece crescer segura, respeitada e livre de qualquer forma de violência.

Sandro César Roberto 


#proteçãoinfantil #consciênciasocial #psicologia #prevenção #respeito #segurança #infância

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Ao longo da vida, o homem se depara inevitavelmente com revezes: fracassos profissionais, perdas afetivas, limites físicos, frustrações financeiras e conflitos internos. No entanto, para muitos homens, aceitar esses revezes não é apenas difícil — é vivido como uma ameaça direta à própria identidade.
Do ponto de vista psicológico, isso está fortemente ligado à forma como a masculinidade é construída socialmente. Desde cedo, muitos homens aprendem que precisam ser fortes, produtivos, autossuficientes e emocionalmente invulneráveis. Errar, perder ou demonstrar fragilidade passa a ser interpretado como fraqueza, e não como parte natural da experiência humana. Assim, quando a vida impõe limites, surge um conflito interno intenso entre o que se sente e o que se acredita que “deveria” sentir.
Essa dificuldade de aceitar os revezes costuma gerar mecanismos de defesa como a negação, a racionalização excessiva, a projeção da culpa nos outros ou o endurecimento emocional. Em vez de elaborar a frustração, muitos homens a transformam em raiva, isolamento, comportamentos de risco ou fuga por meio do trabalho excessivo, do álcool ou de outras compulsões. O sofrimento não desaparece — apenas muda de forma.
As consequências psicológicas podem ser significativas: ansiedade crônica, depressão silenciosa, sensação de vazio, baixa tolerância à frustração e dificuldade nos vínculos afetivos. Relações amorosas e familiares frequentemente são afetadas, pois a incapacidade de lidar com perdas e limites tende a gerar controle, rigidez ou afastamento emocional.
A psicologia aponta que aceitar os revezes da vida não significa resignação ou passividade, mas sim maturidade psíquica. Trata-se de reconhecer que nem tudo está sob controle, que falhar não define o valor pessoal e que a vulnerabilidade é um componente essencial do desenvolvimento emocional. Quando o homem consegue simbolizar suas perdas — falando sobre elas, elaborando o luto e ressignificando a experiência — ele amplia sua capacidade de adaptação e crescimento.

SANDRO CÉSAR ROBERTO 

sábado, 10 de janeiro de 2026

Compulsão Sexual

Compulsão sexual: quando o prazer deixa de ser escolha

Na psicologia, a compulsão sexual não está relacionada à intensidade do desejo, mas à perda de controle sobre pensamentos e comportamentos sexuais. Ela costuma surgir como uma tentativa inconsciente de aliviar ansiedade, estresse, solidão ou sentimentos de vazio emocional. Nesses casos, o comportamento sexual passa a funcionar como um regulador emocional imediato.
O alívio e o prazer momentâneos podem ser interpretados como benefícios, pois há redução temporária da tensão psíquica. No entanto, esse efeito é breve e não resolve o conflito emocional que está na origem do comportamento. Com o tempo, o ciclo se repete e tende a se intensificar, trazendo consequências como culpa, vergonha, queda da autoestima e prejuízos nas relações afetivas, sociais e profissionais.
É essencial diferenciar sexualidade saudável de comportamento sexual compulsivo. A sexualidade saudável envolve escolha consciente, prazer integrado, respeito aos próprios limites e ao outro. Já a compulsão é marcada pela urgência, pela repetição automática e pela dificuldade de interromper o comportamento, mesmo diante de impactos negativos claros.
O acompanhamento psicológico não tem como objetivo reprimir a sexualidade, mas compreender a função emocional que esse comportamento exerce. Ao desenvolver formas mais saudáveis de lidar com emoções e frustrações, a pessoa pode reconstruir uma relação mais equilibrada, consciente e saudável com o próprio desejo.

Sandro César Roberto



Compulsão entre Jovens


Quando estímulos fáceis substituem a vida real
O uso frequente de cigarro, narguilé, bebidas com energético e pornografia cria um ambiente de estímulos rápidos que afetam o cérebro jovem. Em vez de flertar, paquerar e construir vínculos reais, muitos passam a buscar prazer solitário e imediato.
A masturbação não é o problema, mas quando se torna compulsiva — várias vezes ao dia, associada a conteúdos pagos ou pornográficos — ela pode indicar fuga emocional, ansiedade e perda de interesse por relações reais.
O prejuízo maior é emocional: isolamento, queda da autoestima e dificuldade de criar intimidade. Sexualidade saudável envolve escolha, presença e troca — não urgência e repetição automática.

Sandro César Roberto

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

INSIGHTA


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Pisque duas Vezes

Pisque Duas Vezes Sob uma leitura psicanalítica, Pisque Duas Vezes pode ser interpretado como uma narrativa sobre o trauma disso...