quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Limite sem explicação vira revolta


LEIA ISSO SE VOCÊ É FILHO OU SE VOCÊ É PAI E MÃE

Ela não nasceu revoltada. Ela foi criada sem entender o porquê.

Desde criança era não pode, não vai, não fala, não usa isso, não anda com fulano. E nunca vinha o porquê. Era não porque eu mando. Era não porque eu sou sua mãe. Era não porque nessa casa quem manda sou eu.

E aí a criança não aprendeu o limite, ela só sentiu a prisão.

Na adolescência virou revolta calada. Obedecia na frente, odiava por dentro. Começou a esconder tudo, a mentir para ter um pouco de liberdade, a se fechar porque falar não adiantava. Você olhava e pensava, meu filho mudou, minha filha não me conta mais nada. Não mudou, só cansou de não ser ouvida.

E na vida adulta a conta chegou. Virou a jovem que não sabe dizer não. Que aceita namorado que manda, chefe que humilha, amiga que abusa, porque aprendeu que dizer não é desrespeito. Ou virou o rapaz que não aceita regra nenhuma, que briga com patrão, que explode por qualquer coisa, ou que se anula para não dar problema. Nos dois casos é a mesma revolta de infância, só que agora vestida de adulto.

Mas escuta isso, pai e mãe. Isso não é só sobre o filho.

Vocês também cresceram assim. Vocês também ouviram não pode e não perguntaram o porquê. Aprenderam que educar era proibir, era ser duro para não criar filho mimado. E repetiram com seus filhos o que fizeram com vocês achando que era proteção. Não é culpa, é repetição.

Limite sem explicação não educa, afasta. Quando você só proíbe e não conversa, seu filho não aprende a se proteger, ele aprende a se esconder de você.

E filho, escuta também. Seu pai não é seu inimigo. Sua mãe não é sua inimiga. Muitas vezes eles estão tentando te proteger do jeito errado que ensinaram para eles.

Por isso eu gravei esse Café no Divã. Para jovem e para pai e mãe assistirem juntos.

Se você se viu nesse vídeo, comenta aqui: você é o filho que se calou ou o pai que não soube explicar?

Manda esse vídeo para seu filho. Manda para seu pai e sua mãe. Alguém precisa começar a conversar, e pode ser você hoje.

Com Sandro César Roberto, Mente em Equilíbrio, Café no Divã.

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sábado, 10 de outubro de 2026

Solidão!



A SOLIDÃO QUE ABATE NO FIM DE SEMANA

Existe uma solidão que não aparece na segunda-feira. Ela espera o sábado.

Durante a semana estamos distraídos pela função, pelo fazer, pelo barulho necessário que nos sustenta. Quando o ritmo cai, quando o mundo parece ir para a varanda, para o churrasco, para o abraço, sobra um silêncio interno que a rotina abafava.

E é por isso que ela dói mais no fim de semana.

Na luz da psicologia, solidão não é ausência de pessoas. É a experiência da falta. Todos nós somos constituídos por uma falta estrutural — desejamos porque algo sempre escapa. Nos fins de semana, essa falta perde o disfarce do trabalho e se apresenta nua.

Você pode estar rodeado de amigos, rindo, brindando, e ainda assim sentir um vazio que persiste. Porque não é sobre quantidade de gente ao redor. É sobre a impossibilidade de ser totalmente compreendido, totalmente preenchido pelo outro. Freud chamava isso de desamparo. Lacan, de encontro com o real da nossa incompletude.

Estar com amigos e se sentir só não é ingratidão. É a prova de que nenhuma relação, por mais boa que seja, sutura a nossa solidão existencial. O outro pode nos acompanhar, mas não pode nos habitar.

O que fazer com isso?

Não tapar. Escutar.

A solidão de sábado à noite não é um defeito para consertar, é um afeto para interrogar. O que esse vazio está tentando dizer? Que parte sua ficou esperando reconhecimento? Que desejo seu foi adiado para caber no desejo dos outros?

Quando acolhemos a solidão em vez de fugir dela, ela deixa de ser abandono e vira encontro. Encontro com aquilo em nós que ainda não encontrou palavra.

Se esse vazio tem sido frequente, não se culpe por sentir. Procure dar a ele um espaço de fala. É na análise que o vazio deixa de ser um buraco e se torna um lugar.

Sandro César Roberto
Psicanalista

Ser ou. não Ser


SER OU NÃO SER NA ERA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: A IDENTIDADE POR TRÁS DA IMAGEM

Na luz da Psicanálise

Vivemos em uma época em que a Inteligência Artificial permite criar versões fictícias de nós mesmos: rostos perfeitos, corpos idealizados, aparências rejuvenescidas e personagens que, muitas vezes, parecem mais atraentes do que a pessoa real.

Mas, diante dessa possibilidade, surge uma questão importante: estamos apenas explorando a tecnologia ou estamos tentando esconder algo de nós mesmos?

Sob a perspectiva psicanalítica, a imagem que apresentamos ao mundo pode estar relacionada à maneira como construímos nossa identidade, buscamos reconhecimento e desejamos ser percebidos pelo outro.

Utilizar uma imagem fictícia não significa, necessariamente, ter um problema emocional. Pode ser uma escolha artística, profissional, lúdica ou simplesmente uma forma de experimentar novas possibilidades. A tecnologia oferece liberdade criativa, preservação da privacidade e recursos que ampliam nossas formas de expressão.

Entretanto, é preciso observar o outro lado dessa moeda.

Quando a imagem artificial se torna a única forma pela qual alguém consegue se sentir bonito, desejável ou digno de atenção, vale refletir sobre o que está por trás dessa necessidade. Será apenas uma preferência estética ou existe uma dificuldade em aceitar a própria aparência? Há medo de envelhecer, experiências de rejeição, insegurança ou uma necessidade excessiva de aprovação?

Na Psicanálise, podemos pensar também no conceito de ideal do eu: a imagem de quem gostaríamos de ser, construída a partir de nossos desejos, experiências e referências sociais. O problema não está em desejar melhorar ou experimentar uma versão idealizada de si, mas no sofrimento que pode surgir quando a distância entre o eu real e o eu ideal se torna difícil de suportar.

Em algumas situações, experiências de humilhação, rejeição ou críticas recorrentes podem contribuir para uma relação dolorosa com a própria imagem. Contudo, não é possível afirmar que alguém possui um trauma ou complexo apenas porque utiliza fotografias produzidas por inteligência artificial. É necessário compreender a história, as motivações e os sentimentos de cada pessoa.

A vantagem da imagem fictícia é ampliar as possibilidades de expressão. A desvantagem começa quando ela deixa de ser uma escolha e passa a ser uma condição para que a pessoa consiga se aceitar.

Afinal, existe uma diferença entre brincar com a própria imagem e sentir vergonha de existir sem ela.

Na era digital, podemos construir personagens, modificar rostos e criar realidades visuais extraordinárias. Mas nenhuma tecnologia consegue, por si só, resolver os conflitos internos relacionados à autoestima, à rejeição ou à necessidade de reconhecimento.

A pergunta que fica não é se devemos ou não utilizar a Inteligência Artificial para modificar nossa aparência. A questão é mais profunda: estamos usando a tecnologia para expressar quem somos ou para fugir daquilo que não conseguimos aceitar em nós mesmos?

Porque, no fim, entre o ser e o não ser, talvez o maior desafio continue sendo aprender a existir sem precisar esconder a própria humanidade.

Sandro César Roberto
Psicanalista






#Psicanálise #InteligênciaArtificial #IdentidadeHumana #Autoimagem #Autoconhecimento #Autoestima

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Resiliência Humana

A RESILIÊNCIA HUMANA: QUANDO A DOR SE TRANSFORMA EM FORÇA

Na luz da Psicologia, a resiliência humana é a capacidade de enfrentar situações difíceis, adaptar-se às mudanças e, gradualmente, reconstruir a própria vida diante das adversidades.

Pessoas que passam por tratamentos prolongados, cirurgias, doenças ou longos períodos de recuperação enfrentam muito mais do que desafios físicos. Muitas vezes, precisam lidar com o medo, a ansiedade, a incerteza, a dependência de outras pessoas e a sensação de perda da própria autonomia.

Durante esse processo, a mente também trabalha. Cada pequena conquista, cada passo recuperado e cada dia superado pode fortalecer a percepção de capacidade pessoal. A pessoa começa a reconhecer forças que talvez desconhecesse em si mesma.

Entretanto, superar uma experiência difícil não significa sair dela sem marcas. Algumas pessoas desenvolvem maior empatia, valorizam mais o tempo, tornam-se mais seletivas nas relações e passam a enxergar a vida sob outra perspectiva. Outras podem experimentar insegurança, medo de recaídas, irritabilidade ou dificuldade para retomar a rotina. Essas reações não representam fraqueza, mas podem fazer parte do processo de adaptação.

A Psicologia nos ensina que a resiliência não é simplesmente suportar a dor em silêncio, tampouco significa ser forte o tempo todo. É também reconhecer os próprios limites, aceitar ajuda, expressar sentimentos e compreender que cada pessoa possui seu ritmo de recuperação.

Uma experiência difícil pode transformar a maneira como alguém enxerga a vida, mas essa transformação não acontece automaticamente. Ela depende de fatores como apoio emocional, condições de vida, recursos psicológicos, vínculos afetivos e significado atribuído à experiência.

No fim, talvez uma das maiores conquistas de quem atravessa uma longa recuperação não seja apenas voltar a fazer o que fazia antes, mas aprender a viver de uma maneira diferente: com mais consciência, respeito pelos próprios limites e valorização das coisas que antes pareciam pequenas.

Porque resiliência não é nunca cair. É encontrar, dentro e fora de si, recursos para continuar reconstruindo o caminho.

Sandro César Roberto
Psicanalista — Uma reflexão na luz da Psicologia.



terça-feira, 6 de outubro de 2026

30° Enbra


Hoje, na FIEMT, acontece a coletiva de imprensa e o lançamento oficial do evento, que reunirá profissionais, estudantes, especialistas e importantes nomes da Administração brasileira.
O encontro será realizado nos dias 11, 12 e 13 de novembro de 2026, em Cuiabá-MT, promovendo conhecimento, integração, inovação e debates sobre os caminhos da Administração no Brasil.
Um momento importante para Mato Grosso e para todos que acreditam na força da gestão, do conhecimento e do desenvolvimento profissional.

Sandro César Roberto 

" ECONOMIA DO NORDESTE QUE NINGUÉM PÕE NO CARTÃO"


A ECONOMIA DO NORDESTE QUE NINGUÉM PÕE NO CARTÃO POSTAL

O Nordeste vende sol. Vende mar verde, coqueiro torto, acarajé na panela, forró até o chão. A economia oficial é essa: 60% do PIB de muitas cidades litorâneas vem do turismo, do serviço, da diária do hotel, do passeio de buggy.

Mas tem outra economia. Mais antiga. Mais barata. Mais lucrativa.

É a economia da miséria ancestral.

É a menina que você vê na beira da praia de Pipa, de Porto de Galinhas, de Jericoacoara, de Morro de São Paulo. Ela tem 13, 14 anos. O nome dela tanto faz - pode ser Maria, pode ser Kauane. Ela não está ali porque quer. Ela está ali porque a mãe dela também esteve, e a avó dela serviu na casa grande. É uma linhagem de fome que nunca quebrou.

O que o turista de fora compra não é só a praia. É a sensação de poder. Com 50 euros, 100 dólares, ele compra o que no país dele daria cadeia perpétua. Ele compra a desigualdade. Ele compra o sorriso subserviente de um país que aprendeu que precisa agradar o gringo para comer.

E o sistema deixa.

Deixa porque o prefeito precisa da taxa de ocupação dos hotéis.
Deixa porque o dono da pousada faz vista grossa.
Deixa porque o policial ganha para não ver.
Deixa porque a família, esmagada por 400 anos de seca, de latifúndio, de Bolsa Família que não paga o botijão, aprendeu a chamar isso de "ajuda" e "oportunidade".

Chamam de turismo sexual. É um eufemismo nojento para esconder o nome certo: estupro colonial com pagamento em moeda estrangeira. Exploração sexual infantil organizada pela pobreza.

Enquanto o Brasil vende a imagem da morena sensual, sorridente, disponível, a conta fecha assim:

O gringo leva a foto com pôr do sol.
O intermediário leva 70%.
A menina fica com o trauma, uma infecção e R$ 50 para comprar o arroz da casa.

Essa é a economia mais rentável do Nordeste. Não precisa de investimento do BNB, não precisa de inovação, não precisa de irrigação. Precisa só de miséria contínua e de omissão contínua.

Não existe turismo inocente onde criança é mercadoria na praia. Se a sua viagem precisa da miséria dela para ser barata, você não é turista. Você é parte da cadeia produtiva.

O Nordeste não precisa de turista que vem caçar menina. Precisa de indústria, de universidade, de saneamento, de emprego que pague mais que uma diária para deitar com um estrangeiro.

Enquanto a gente romantizar a "moça do Nordeste" como produto exótico, quente e barato, a gente vai continuar sendo o bordel mais bonito do mundo.

Sandro César Roberto 

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Euphoria !

Euforia: quando a emoção nos impulsiona — e quando pode nos levar ao excesso?

A euforia faz parte da experiência humana. Ela aparece quando sentimos uma alegria intensa, uma conquista, uma vitória ou uma expectativa muito positiva. Pode acontecer no futebol, na política, diante de um emprego novo, de uma promoção, de um relacionamento ou de qualquer situação que desperte grande entusiasmo.

Na luz da Psicanálise, não precisamos enxergar a euforia como algo positivo ou negativo em si. Precisamos observar o que fazemos com ela e até onde ela nos leva.

Entre seus benefícios, a euforia pode aumentar a disposição, a criatividade, a motivação, a esperança e a capacidade de enfrentar desafios. Uma vitória pode renovar nossas forças. Um emprego novo pode despertar confiança. Uma conquista política pode trazer esperança de mudança.

Mas existe também o outro lado.

Quando a emoção se torna intensa demais, podemos perder temporariamente a capacidade de avaliar a realidade com equilíbrio. No futebol, a paixão pode transformar comemoração em provocação e rivalidade em agressividade. Na política, o entusiasmo pode fazer com que uma pessoa idealize excessivamente um líder ou grupo e deixe de enxergar seus erros. No trabalho, a empolgação inicial pode criar expectativas irreais e levar a decisões precipitadas.

Existe ainda um fenômeno importante: quanto maior a expectativa criada pela euforia, maior pode ser a frustração quando a realidade não corresponde ao que imaginávamos.

A Psicanálise nos convida justamente a olhar para aquilo que existe por trás da emoção.

O que estou realmente comemorando? O que essa conquista representa para mim? Por que preciso tanto que isso dê certo? O que acontece comigo quando a euforia passa?

Talvez a questão não seja controlar a euforia, mas não permitir que ela nos controle.

A emoção pode ser combustível para a vida. Porém, quando o entusiasmo elimina a reflexão, podemos confundir desejo com realidade, esperança com certeza e paixão com verdade.

Sentir intensamente faz parte da vida. Pensar sobre aquilo que sentimos é uma forma de não sermos escravos das nossas próprias emoções.

— Sandro César Roberto 





Limite sem explicação vira revolta

LEIA ISSO SE VOCÊ É FILHO OU SE VOCÊ É PAI E MÃE Ela não nasceu revoltada. Ela foi criada sem entender o porquê. Desde criança e...