Farmar Aura: quando a identidade é substituída pela plateia
Existe algo inquietante por trás da moda de "farmar aura". Não estamos falando apenas de uma gíria da internet, mas do retrato de uma geração que, em muitos casos, parece medir o próprio valor pela reação dos outros.
A Psicologia há muito nos alerta: quem depende constantemente da validação externa entrega ao outro o controle da própria identidade. Quando a aprovação se torna uma necessidade, a autenticidade começa a morrer.
Vivemos uma época em que muitos preferem parecer interessantes a serem verdadeiros. Não importa quem são quando estão sozinhos; importa quantas pessoas admiram a personagem que construíram.
Cada atitude deixa de ser espontânea e passa a ser calculada. Cada gesto procura aplausos. Cada desafio busca status. Cada vídeo tenta comprar alguns segundos de admiração. A vida deixa de ser vivida para ser exibida.
O problema não é a brincadeira. O problema é quando o sujeito passa a existir apenas enquanto é observado. Quando o silêncio incomoda mais do que a mentira. Quando a aparência vale mais que o caráter.
Sob a ótica psicológica, a necessidade compulsiva de impressionar pode revelar um vazio que nenhuma curtida consegue preencher. Quanto maior a dependência do olhar do outro, menor tende a ser o contato com a própria identidade.
Paradoxalmente, quem mais tenta provar que possui "aura" talvez seja quem ainda não encontrou segurança suficiente para simplesmente ser quem é.
A verdadeira força não precisa de plateia. A verdadeira autoestima não precisa ser filmada. O verdadeiro caráter não depende de tendências, memes ou da aprovação de desconhecidos.
Talvez a pergunta mais importante não seja: "Quanto de aura você conseguiu farmar?"
Mas sim:
Quem você continua sendo quando ninguém está olhando?
Sandro César Roberto
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