segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Euphoria !

Euforia: quando a emoção nos impulsiona — e quando pode nos levar ao excesso?

A euforia faz parte da experiência humana. Ela aparece quando sentimos uma alegria intensa, uma conquista, uma vitória ou uma expectativa muito positiva. Pode acontecer no futebol, na política, diante de um emprego novo, de uma promoção, de um relacionamento ou de qualquer situação que desperte grande entusiasmo.

Na luz da Psicanálise, não precisamos enxergar a euforia como algo positivo ou negativo em si. Precisamos observar o que fazemos com ela e até onde ela nos leva.

Entre seus benefícios, a euforia pode aumentar a disposição, a criatividade, a motivação, a esperança e a capacidade de enfrentar desafios. Uma vitória pode renovar nossas forças. Um emprego novo pode despertar confiança. Uma conquista política pode trazer esperança de mudança.

Mas existe também o outro lado.

Quando a emoção se torna intensa demais, podemos perder temporariamente a capacidade de avaliar a realidade com equilíbrio. No futebol, a paixão pode transformar comemoração em provocação e rivalidade em agressividade. Na política, o entusiasmo pode fazer com que uma pessoa idealize excessivamente um líder ou grupo e deixe de enxergar seus erros. No trabalho, a empolgação inicial pode criar expectativas irreais e levar a decisões precipitadas.

Existe ainda um fenômeno importante: quanto maior a expectativa criada pela euforia, maior pode ser a frustração quando a realidade não corresponde ao que imaginávamos.

A Psicanálise nos convida justamente a olhar para aquilo que existe por trás da emoção.

O que estou realmente comemorando? O que essa conquista representa para mim? Por que preciso tanto que isso dê certo? O que acontece comigo quando a euforia passa?

Talvez a questão não seja controlar a euforia, mas não permitir que ela nos controle.

A emoção pode ser combustível para a vida. Porém, quando o entusiasmo elimina a reflexão, podemos confundir desejo com realidade, esperança com certeza e paixão com verdade.

Sentir intensamente faz parte da vida. Pensar sobre aquilo que sentimos é uma forma de não sermos escravos das nossas próprias emoções.

— Sandro César Roberto 





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