Dia de Finados: O Luto que nos habita
Na psicanálise, aprendemos que ninguém morre por completo quando é amado.
Freud dizia que o luto é o trabalho mais difícil da alma: é o processo de, aos poucos, retirar a libido do objeto perdido e aprender a viver com o vazio que ele deixou — sem negá-lo, sem preenchê-lo às pressas.
Mãe e pai não são só memórias. São estrutura psíquica.
Minha mãe mora na minha forma de cuidar, de falar, de sentir o mundo. Meu pai mora na minha forma de enfrentar a vida, de insistir, de trabalhar. Eles são o meu primeiro espelho, meu primeiro outro, meu primeiro amor.
Quando eles se foram, uma parte de mim também foi — e outra parte ficou, mais forte, porque o que foi introjetado não se perde.
Hoje, no Dia de Finados, eu não celebro a morte. Eu celebro o trabalho do luto: lembrar sem se afogar, chorar sem se culpar, amar sem precisar possuir.
A saudade é o preço do vínculo. E eu pagaria de novo, todos os dias, para ter sido filho deles.
Pai, mãe: vocês não estão mais aqui fora, mas continuam vivos aqui dentro. E é aqui dentro que o amor encontra o seu descanso eterno.
Saudade é amor que ficou sem corpo. Mas nunca sem lugar.
🖤🕊️
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