quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Que venha o próximo ano




Que o novo ano chegue sem máscaras, trazendo coragem para encerrar ciclos que ferem, sabedoria para manter o que fortalece e fé para recomeçar quantas vezes for necessário.
Que cada dia seja um convite à verdade, ao respeito e ao amor — começando dentro de nós.
Que as dores vividas se transformem em aprendizado,
as quedas em maturidade,
e os sonhos em propósito.
Que não nos falte humanidade,
que não nos sobre medo,
e que jamais percamos a capacidade de sentir, cuidar e evoluir.
Um novo ano não muda tudo por si só,
mas pode mudar tudo quando mudamos por dentro.
✨ Feliz Ano Novo. Que ele seja real, consciente e transformador. ✨

Sandro César Roberto 


terça-feira, 30 de dezembro de 2025

QUANDO AS MÁSCARAS CAEM


Quando as Máscaras Caem | Relações, Violência e Padrões Comportamentais
A violência nas relações entre homem e mulher raramente começa com agressões explícitas.
Ela se inicia, quase sempre, por máscaras emocionais, comportamentos aprendidos, silêncios, controle disfarçado de cuidado e padrões repetidos que atravessam gerações.
A palestra “Quando as Máscaras Caem” propõe um olhar direto e consciente sobre as dinâmicas relacionais que sustentam relações adoecidas, abusivas ou violentas — físicas, psicológicas, morais ou emocionais.
O conteúdo conduz o público a compreender:
Como padrões comportamentais são construídos nas relações afetivas
O papel das máscaras sociais e emocionais no ciclo da violência
Por que homens e mulheres reproduzem comportamentos destrutivos, muitas vezes sem perceber
Os sinais de alerta antes que a violência se instale
O momento em que a máscara cai — e a verdade do comportamento aparece
O E-book complementar aprofunda essas reflexões, oferecendo base teórica, exemplos reais e direcionamento prático para identificação, prevenção e ruptura de ciclos de violência relacional.
Não se trata de apontar culpados, mas de gerar consciência, responsabilidade emocional e mudança de comportamento.
Essa integração entre palestra e E-book transforma informação em ferramenta de prevenção, educação emocional e proteção de vidas.
👉 Indicado para empresas, instituições públicas, escolas, universidades, eventos sociais e programas de prevenção à violência doméstica e relacional.


🎓 Crédito / Autoria
Palestra e E-book desenvolvidos por Sandro
Psicanalista | Palestrante | Especialista em Comportamento Humano
Atuação focada em relações afetivas, violência relacional, padrões comportamentais e consciência emocional.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Compulsão e Frigidez


Compulsão sexual e frigidez entre casais: fatores e consequências na luz da psicologia

A vida íntima de um casal é um espaço onde necessidades emocionais, expectativas e vulnerabilidades se encontram. Quando surge a compulsão sexual ou, no extremo oposto, a frigidez, essas diferenças podem gerar conflitos profundos, afetando não apenas o relacionamento, mas também a autoestima e a saúde mental de cada parceiro.

A compulsão sexual se caracteriza pela busca constante e descontrolada por atividade sexual, muitas vezes usada como fuga emocional. Fatores como ansiedade, baixa autoestima, histórico de abandono, traumas emocionais ou até modelos distorcidos de afeto aprendidos na infância podem alimentar esse comportamento. A pessoa passa a confundir conexão com descarga, desejo com validação, e sexo se torna um anestésico temporário para dores psíquicas não enfrentadas.

Já a frigidez — ou a redução significativa do desejo e da resposta sexual — pode nascer de causas múltiplas: desgaste emocional, estresse, depressão, inseguranças sobre o corpo, conflitos mal resolvidos no relacionamento, traumas antigos ou até mesmo a rotina desgastada que sufoca o afeto. Quando o corpo e a mente se desconectam, o prazer deixa de ser natural e passa a ser uma cobrança silenciosa.

Esses dois polos podem coexistir dentro de uma mesma relação. Um parceiro busca sexo para aliviar angústias; o outro se fecha por se sentir pressionado, insuficiente ou emocionalmente distante. Surge um ciclo: quanto mais um exige, mais o outro se retrai — e quanto mais o outro se retrai, mais o primeiro intensifica sua compulsão. Nesse ponto, o sexo deixa de ser linguagem de afeto e vira campo de batalha emocional.

As consequências psicológicas costumam ser profundas: sentimento de inadequação, culpa, frustração, afastamento físico e emocional, e a crença de que o relacionamento está “falhando”. Em casos mais graves, surgem comportamentos de autoexigência extrema, isolamento ou até busca externa de validação afetiva.

Na perspectiva terapêutica, é fundamental compreender que ambos os extremos são sintomas, e não defeitos pessoais. A cura começa com diálogo seguro, acolhimento das vulnerabilidades e, quando necessário, acompanhamento psicológico. O objetivo é restaurar a conexão emocional, fortalecer a comunicação e devolver ao casal a possibilidade de viver uma sexualidade saudável, respeitosa e integrada.

O corpo fala, mas a mente grita. E quando o casal aprende a ouvir ambos, o vínculo se reconstrói com maturidade e verdade.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

O Menino que Sonhava com Leões — e a Sociedade que Esqueceu de Ser Humana


A história de Gerson, o “Vaqueirinho”, não é apenas a tragédia de um jovem que invadiu a jaula de uma leoa. É o retrato doloroso de um país que ainda não aprendeu a cuidar dos seus filhos mais vulneráveis. Um menino arrancado de casa na infância, empurrado de abrigo em abrigo, medicalizado, sem família, sem referência, sem afeto — e que, apesar de tudo, carregava dentro de si um sonho estranho, mas profundamente humano: ser amado por algo poderoso o suficiente para não abandoná-lo.

Seu fascínio pelos leões pode ser lido como metáfora psicanalítica: o desejo de tocar o que é indomável, talvez porque dentro dele também havia um caos que ninguém conseguiu domar. Para muitos especialistas, o gesto extremo de entrar no recinto pode não ter sido apenas impulso — mas um pedido silencioso de pertencimento, um grito que nunca encontrou ouvidos.

E então, quando a tragédia acontece, o que vemos?
Uma multidão que não chora.
Que não questiona.
Que não acolhe.

Mas aponta o dedo. Ri. Diz “bem feito”.
Como se a morte de um jovem abandonado desde a infância fosse motivo de satisfação.

Essa reação coletiva diz menos sobre Gerson e mais sobre nós. A psicanálise nos lembra que a crueldade pública é sempre sintoma de um vazio interno. Quando uma sociedade perde a capacidade de sentir o sofrimento do outro, ela se desconecta de sua própria humanidade. A empatia, que deveria ser instinto básico, vai sendo corroída por anos de desigualdade, cansaço emocional, violência cotidiana e a falsa sensação de poder que as redes sociais oferecem.

A perda da compaixão transforma a dor alheia em entretenimento.
Transforma vítimas em culpados.
E transforma cidadãos em espectadores frios, que consomem tragédias sem refletir sobre suas causas.

Esse distanciamento afetivo cria uma sociedade adoecida, ansiosa, incapaz de se reconhecer como um coletivo. Onde não há empatia, também não há comunidade. Onde não há acolhimento, surgem mais crianças como Gerson — soltas no mundo, invisíveis, buscando em fantasias o amor que a realidade lhes negou.

O caso do Vaqueirinho deveria ser um espelho: ele não caiu sozinho na jaula dos leões. Ele foi lançado ali por uma vida inteira de ausência, negligência e desamparo social. Sua história nos pergunta, com brutal franqueza:
Em que momento deixamos de sentir? Em que momento nos tornamos espectadores da dor sem nenhuma responsabilidade por ela?

Talvez o desafio do nosso tempo seja justamente recuperar o que estamos perdendo: a bondade simples, o cuidado espontâneo, a coragem de olhar para o sofrimento do outro sem julgá-lo. Porque, sem isso, não são só indivíduos que morrem — é a própria capacidade humana de ser humana.

Sandro César Roberto 


Ao longo da vida, o homem se depara inevitavelmente com revezes: fracassos profissionais, perdas afetivas, limites físicos, frus...