Compulsão sexual e frigidez entre casais: fatores e consequências na luz da psicologia
A vida íntima de um casal é um espaço onde necessidades emocionais, expectativas e vulnerabilidades se encontram. Quando surge a compulsão sexual ou, no extremo oposto, a frigidez, essas diferenças podem gerar conflitos profundos, afetando não apenas o relacionamento, mas também a autoestima e a saúde mental de cada parceiro.
A compulsão sexual se caracteriza pela busca constante e descontrolada por atividade sexual, muitas vezes usada como fuga emocional. Fatores como ansiedade, baixa autoestima, histórico de abandono, traumas emocionais ou até modelos distorcidos de afeto aprendidos na infância podem alimentar esse comportamento. A pessoa passa a confundir conexão com descarga, desejo com validação, e sexo se torna um anestésico temporário para dores psíquicas não enfrentadas.
Já a frigidez — ou a redução significativa do desejo e da resposta sexual — pode nascer de causas múltiplas: desgaste emocional, estresse, depressão, inseguranças sobre o corpo, conflitos mal resolvidos no relacionamento, traumas antigos ou até mesmo a rotina desgastada que sufoca o afeto. Quando o corpo e a mente se desconectam, o prazer deixa de ser natural e passa a ser uma cobrança silenciosa.
Esses dois polos podem coexistir dentro de uma mesma relação. Um parceiro busca sexo para aliviar angústias; o outro se fecha por se sentir pressionado, insuficiente ou emocionalmente distante. Surge um ciclo: quanto mais um exige, mais o outro se retrai — e quanto mais o outro se retrai, mais o primeiro intensifica sua compulsão. Nesse ponto, o sexo deixa de ser linguagem de afeto e vira campo de batalha emocional.
As consequências psicológicas costumam ser profundas: sentimento de inadequação, culpa, frustração, afastamento físico e emocional, e a crença de que o relacionamento está “falhando”. Em casos mais graves, surgem comportamentos de autoexigência extrema, isolamento ou até busca externa de validação afetiva.
Na perspectiva terapêutica, é fundamental compreender que ambos os extremos são sintomas, e não defeitos pessoais. A cura começa com diálogo seguro, acolhimento das vulnerabilidades e, quando necessário, acompanhamento psicológico. O objetivo é restaurar a conexão emocional, fortalecer a comunicação e devolver ao casal a possibilidade de viver uma sexualidade saudável, respeitosa e integrada.
O corpo fala, mas a mente grita. E quando o casal aprende a ouvir ambos, o vínculo se reconstrói com maturidade e verdade.
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