terça-feira, 14 de outubro de 2025

Quando o Amor se Vai!

O Enfraquecimento do Carinho e do Amor Conjugal na Perspectiva Psicanalítica

Na visão psicanalítica, o amor entre cônjuges é um campo complexo, tecido por desejos inconscientes, projeções e identificações que se entrelaçam desde o início da relação. No entanto, com o passar do tempo, esse amor pode se fragilizar — não apenas por fatores externos, mas por movimentos internos do próprio psiquismo de cada parceiro.

O carinho e a ternura, que no início fluem como expressão espontânea do desejo de fusão e pertencimento, podem, aos poucos, dar lugar à indiferença. O sujeito, inconscientemente, começa a deslocar seus afetos, a retirar o investimento libidinal que antes estava colocado no outro. Freud chamou esse movimento de “retirada da libido objetal”, que ocorre quando o parceiro deixa de ser fonte de satisfação emocional e passa a ser percebido como objeto frustrante ou ameaçador à autonomia do eu.

Muitas vezes, o que chamamos de “rotina” é, na verdade, o resultado de um recalque do desejo — um medo de revisitar o próprio inconsciente, de lidar com as faltas e as idealizações projetadas no parceiro. Assim, o amor inicial, que tinha um caráter simbiótico e idealizado, se decompõe diante da realidade psíquica e das frustrações inevitáveis da convivência.

O enfraquecimento do carinho é, portanto, um sintoma. Ele denuncia um distanciamento emocional que pode indicar não apenas o fim de um ciclo afetivo, mas também a dificuldade de cada sujeito em sustentar o vínculo diante de suas próprias contradições internas. Quando o amor esfria, o inconsciente grita — e muitas vezes, o casal silencia.

Na luz da Psicanálise, a possível ruptura não é apenas o término de uma relação amorosa, mas o desmoronar de um pacto inconsciente: aquele que unia dois sujeitos não apenas pelo afeto, mas pela necessidade mútua de se reconhecer e se espelhar no outro.
Quando esse espelho se quebra, o casal é convidado — consciente ou inconscientemente — a revisitar suas origens afetivas, seus medos de abandono e suas formas de amar. É nesse ponto que se abre o espaço para o trabalho analítico: compreender o que se perde quando o amor enfraquece e o que, de fato, se tenta preservar com a ruptura.

Sandro César Roberto 


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